Acordei no meio da noite. As estrelas ilustravam o céu. Uma sensação de urgência me incomodava. Sabia que havia chego o momento.
Havia voado a máxima velocidade que possuia. Ainda não tinha muita habilidade em abrir portais. Além disso, algo me dizia para ir voando.
A cidade estava quieta, apesar de movimentada. Muitos celestiais vagam durante a noite, a maioria você não os encontra durante o dia.
Caminhei muito até chegar ao centro da cidade. Até a grande torre de cristas, a Cidade das Núvens, Sancta Turrim, a mais antiga das cidades do Edem. Dizem que quando tudo foi criado, foi nela que os 7 primeiros Arcanjos se encontraram.
Estava bem próxima da torre quando o ví. Cabelos longos e dourados, um grande manto branco o cobrindo. Os olhos azuis profundos transmitiam uma calma que tempestade alguma poderia abalar. Podia sentir seu poder, sabia quem ele era.
“- Está na hora.” Disse o celestial. “- A Grande Tempestade está indo de encontro ao seu fim. O que a calmaria revelará, apenas o Criador sabe.
Dito isso, ele se virou e desapareceu no ar, criando distorções como se fossem ondas. Era um portal, o seguí imediatamente.
O lugar onde me encontrei era mal iluminado. Um corredor estreito, feito de pedra. A pouca iluminação que as pedras mágicas presas ao teto dava permitia que eu visse os intrincados desenhos e runas gravados na parede. Animais, pessoas, anjos, demônios. Uma terrível batalha sendo assistida por gigantes olhos de pedra.
Ele avançava a frente caminhando de forma suave. Não havia uma imperfeição no fluxo de seu movimento lento e direto.
De forma lenta também passei a seguí-lo. Não ousava me aproximar de tamanha magnitude. Sempre me foi dito que ele era gentil, compreensivo, mas isso só servia para criar um respeito e temor ainda maior por ele.
Após andar alguns minutos, ele parou e tocou na parede, as runas se iluminaram numa luz azul cálida, continuando seu caminho em seguida sem falar uma palavra, sem olhar para traz ou para os lados.
Por mais seis vezes ele repetiu o processo, tocando três vezes em cada parede e uma no chão.
“- Cada runa represanta um dos 7 primeiros.” Ele falou no memento que tomava coragem para lhe perguntar o que significavam. Estava muito curiosa. Logo ele dobrou a direita num entroncamento de corredores. Uma luz azul forte, quase branca, emanava do corredor.
Havia uma porta de madeira no final do corredor, por detras dela havia um pequeno quarto, repleto de estantes carregadas de livros. Sobre uma grande mesa ao centro repousava um livro aberto.
“- Rogo-lhe que daqui por diante, esqueça tudo o que existe for a desse aposento.” Apenas acenei com a cabeça afirmativamente.
“- Ficaremos aqui por algum tempo, melhorando suas habilidades, seus conhecimentos.”
“- Sim.” Respondi com dificuldade.
A partir daquele dia não saimos da biblioteca. Por um mês ficamos isolados de todo o mundo. Nesse tempo, descobri que estavamos na cidade de Libraria. Numa das câmaras mais profundas da cidade-biblioteca
Quando chegou o fim do mês, ele me explicou o que deveria fazer, tudo começaria com uma pequena missão de vigilha. Cuidar de uma pequena família. Fiquei aliviada com o que ele disse, não parecia algo difícil. Mas o que ele falou em seguida acabou com minha tranquilidade.
“- Você vai ocupar o lugar deixado por Harold após sua falha.”
“- Não se preocupe.” Ele continuou. Certamente tinha notado meu temor. “- Jamais estará sozinha. Todos na Falange são responsáveis pela segurança do próximo.”
Enquanto nos dirígiamos para fora da cidade subterrânea, ele ainda me disse que muito acontecimentos estão girando em torno de uma pessoa daquela família. Essa pessoa tinha herdado de forma desconhecida os mesmos poderes que Agatha, a mais nefasta das criaturas infernais.
Talves essa pessoa não se torne um ser de maldade como Agatha, e por essa experança ainda não foi destruída.
“- As ditorções que ela está causando na Umbra Plana indicam que o despetar está próximo. Mas não sabemos o que vai de fato acordá-la.”
Eu já tinha ouvido falar desse nome antes. Um pequeno boato, um sussuro de tempos antigos. A pequena história conta que, nos princípios do tempo, uma anja se relacionou com um demônio, gerando assim o que viria a se chamar Agatha. Tal criança não nasceu de forma comum, a gravides durou eras, o momento do nascimento nunca foi descoberto. Quem era a mãe e o que aconteceu, nenhuma das lendas a respeito informa de forma coerente.
Tal criança, quando cresceu e despertou seus poderes, trazendo destruição a tudo a sua volta, foi destruída de forma peculiar. Ela teria sido abraçada por um vampiro.
As lendas diferem em muitos pontos, mas que foram um celestial e um infernal que deram origem à Agatha e que foi um vampiro que causou sua destruição estão presentes em todas. Assim como que o celestial em questão, era uma mulher.
Logo chegamos a uma escadaria, estreita e escura. Por ela subimos por vários minutos, até alcançarmos o topo. Quando ví luz no final da escada, pensei estarmos indo para fora da terra. Mas acabamos em outra galeria de livros.
O lugar era amplo e alto, o que nos permitiu voar. Chegamos rápido na superfície. Era noite. Rapidamente ele abriu um portal e mergulhou nele. O seguí sem temor.