Quando criança eu residia numa pequena cidade no interior esquecido da Grã-Bretanha. Lembro que nossa casa era uma grande mansão, grande demais para nossa pequena família, que eram meus pais, meu irmão e irmã menores e eu.
Como não tínhamos criados, nossos pais não tinham como cuidar de toda a casa, sendo assim, nós morávamos de fato em uma pequena parte do complexo.
Assim como grande parte da casa, todo o terreno atrás dela era descuidado, e a grande torre, já escondida em meio ao mato que cresceu a sua volta era praticamente inacessível.
Papai contou que nosso tataravô construiu tudo e deixou de herança, mas seu pai perdeu quase toda a fortuna da família, ficou com a casa apenas porque ninguém mais queria.
Apesar da torre, não vista, não receber nenhuma visita, nem de funcionários, nem de convidados, apenas dos animais que apareceram com a floresta que se criou em sua volta, ela não era esquecida; seu antigo e barulhento relógio continuava funcionando, nos lembrando a cada hora de sua existência.
Certo dia, nubaldo, mas sem ameaça de chuva, enquanto meus pais estavam fora assim como meus irmão menores, resolvi tentar chegar aquela torre. Como ela era, não sabia, podia apenas sonhar e imaginar, um grande pilar com um grande relógio de ponteiros em seu topo.
Mas quando atravessei o caminho relativamente fácil pelo meio do mato, pois a estrada ainda não tinha sido completamente tomada, tudo o que eu tinha imaginado, fora por água abaixo, a torre era, de longe, muito mais explendorosa, ipontente, assustadora do que eu podia imaginar.
Não se tratava de um simples pilar, mas sim de uma grande e larga torre circular, com vários metros de diâmetro. Vários andares de altura, ainda hoje não sei como podia estar oculta pela floresta, de tão alta que era.
Ao seu longo, várias jaenalas se abriam, várias sacadas, um telhado circular feito de pedra lhe caia como um chapéu. E um grande e gigantesco relógio com vários ponteiros, 2 centrais e tantos outros espalhados próximos aos números ostentava sua face principal. Outros relógios menores apareciam em outros lados da torre circular, cada um como uma hora diferente, mas apenas o grande badalava. Faltava pouco tempo para as 12 horas, quando os ponteiros se juntaram apontando para o céu, o som ensurdecedor dos sinos começou.
Rapidamente corri para dentro da torre pela porta principal, para escapar do barulho. A porta estava aberta escancarada. Entrei sem pensar no perígo que me esperava lá dentro, apenas buscando refúgio do barulho que martelava minha cabeça.
Corri em linha reta por um caminho escuro. Agora penso, quão estranha era a entrada principal, um túnel estreito e escuro. Parei somente quando atingi um salão, a sala de entrada imaginei. Alguns bancos de pedra encostado nas paredes, uns quebrados, todos com teias de aranha. Alí era mais claro, mas não podia ver de onde vinha a luz. O som do grande relógio tinha parado, mas eu podia ouvir, distante no alcance da audição, o barulho provocado por vários sinos. Em alguma sala acima de onde eu estava devia haver uma sala cheia deles, fazendo os mais diversos barulhos arrebatadores, queira Deus que eu não tivesse encontrado a sala.
Do Salão de Entrada, haviam dos caminhos, um a esquerda, outros a direita. O da direita parecia levemente mais iluminado, ou ao menos com menos teias de aranhas. O que eu achava ser um bom sinal. Não era um corredor agradável. Parcamente iluminado pela luz do salão que eu havia deixado e por alguma fonte a frente. Haviam desenhos estranhos na parede. Relógios na maioria das vezes, relógios com pernas e braços.
Quando o corredor terminou numa nova sala “magicamente” iluminada, pude ver três caminhos a seguir. O salão em sí não era diferente do de entrada, apenas com menos bancos e uma coluna bem rachada no centro. A passagem logo a minha frente e a minha direita estavam completamente escuras, a da minha esquerda era uma escada que subia e recebia a mesma iluminação daquela sala.
A longa escada, adornada aos lados com os mesmo desenhos de relógios andantes, e ainda com alguns desenhos que lembravam pessoas, mas a iluminação não era suficiente para eu entender o que os desenhos significavam. Quando cheguei eu seu fim e atrevessei o portal de pedra, um calafriu passou lentamente por toda a minha coluna, uma voz na minha conciência diziam para eu deixar aquele lugar e ir pra casa, mas eu tolamente a ignorei. Nas paredes acinzentadas, vários relógios estavam pendurados, todos antigos relógios de ponteiros, todos em modelos diferentes, a maioria quebrados.
Um deles tinha uns desenhos e uns ponteiros que parecia formar uma cara feliz. Não se mechia, não fazia nenhum tic ou tac, apenas existia, parado eternamente no tempo.
Daquela sala havia apenas outra saída além do caminho por onde eu ví. Um túnel sem decoração nenhuma, mas levemente iluminado. Antes de seguir adiante por ele, dei mais uma olhada na sala, lá estava o relógio fazendo uma careta, parecia brabo. Achei estranho o fato, mas não reparei ou dei a devida importância que os ponteiros de fato havia mudado de lugar.
Enquanto caminhava, podia ouvir o barulho de alguma coisa batendo no chão, não parava quando eu parava de andar para escutar melhor, mas sim quando eu colocava o ouvido contra as paredes ou chão para saber melhor de onde vinha.
No túnel algumas portas, fechadas ou entre-abertas, mas todas com a mesma característica sombria que dava razão a voz em minha mente e me fazia querer voltar. Não entrei em nenhuma delas, apenas dei uma olhada em uma, cuja porta já não existia mais. O que havia acontecido com a porta não imaginava, havia apenas pedaços de madeira onde eram as dobradiças e a maçaneta, mais nenhum sinal dela.
Dentro, pelo que pude ver, havia várias estantes com livros, mas a sala estava imersa na completa escuridão. O barulho de algo batendo no chçao aprecia ser mais forte ali dentro, o calafrio que eu sentia era mais forte. MInha curisidade me impelia a entrar, mas eu dei um paço atrás, virei pro lado e segui em frente. Antes de perder completamente a visão da sala ví algo se mover na escuridão lá dentro, mas não ousei olhar para o lado.
A sala seguinte era na verdade um grande salão, o Salão do Abismo. Ele era composto unicamente por uma escada que saia de todas as paredes descendo em direção ao buraco no centro. Do buraco um vento frio de gelar os ossos soprava, vindo de suas profundesas. No centro do abismos totalmente escuro um pilar, largo e quadrado se erguia, vindo da escuridão abaixo, indo para a escuridão acima. Nada havia nele, apenas uma espécie de luz, que iluminava toda a sala mas era incapaz de quebrar a escuridão acima e abaixo.
Quase cai no buraco quando uma badala forte veio de minhas costas, olhei e ví um relógio velho parado no meio de uma das passagens. Não era o caminho por onde eu tinha vindo, era uma outra logo ao lado.
Fiquei olhando para ele, tentando captar o que me atraia a ele. Mais uma badala forte, dessa vez respondida por outras duas mais atras a ele e uma outra de uma passagem a direita de onde eu estava.
Corri, foi o que a voz em mim mandou fazer, e eu estava completamente inclinado a aceitar a sua sugestão.
Oi Mateus,
Muito legal o começo da história, continue com ela! Essa história de torre do relógio sempre me lembra Castlevania. Ambientações macabras FTW!
Abraço,
Dirceu