Corri o mais rapido que as minhas pernas de um garoto de 12 anos permitiam, entrando na primeira porta que encontrei a frente.
O corredor que se seguia era totalmente escuro, com sua única luz vindo do salão que havia acabado de deixar pra trás. Enquanto corria desesperadamente, uma forte badalada sacudiu a torre, indicando que já havia se passado uma hora desde que eu passara pela porta de entrada. O susto que levei com o sliêncio sendo cortado tão repentinamente me fez tropeçar em meus próprios pés e cair espalhado no chão.
Por algum tempo não me mechi. Apenas prestei atenção em tudo a minha volta. Não havia eco do grande sino, apenas o som fraco dos incansáveis sinos menores que havia ouvido no Salão de Entrada, um pouco mais forte.
Olhei em volta tentão enchergar algo conforme minha visão ia se acostumando ao escuro quase completo. Havia várias portas no corredor, a maioria abertas, alguma luminosidade fraca e nada convidativa vinha das salas. Me levantando com custo, olhei para trás, a porta estava longe, a luz do salão de escadarias mal entrava naquele corredor.
Quando apoiei minhas mãos no chão, sentí um líquido viscoso e frio. Na parede próximo a mim, o que me parecia um antigo relógio de parede jazia quebrado.
Olhando a frente podia ver uma pequene fonte de luz a esquerda do corredor, diferente das luzes que saiam das salas adjacentes. Segui com cautela, prestando atenção em cada barulho que não fosse o dos sinos ou o meu paço. Não ouvi mais nada quando cheguei ao final do corredor.
Alí ele virava para esquerda e continuava, mas mais a frente, uma porta aberta permitia entrada de luz do sol no corredor. Corrí diretamente pra ela.
A sala era diferente do que eu havia visto no resto da torre. Uma sensação de urgência que me acompanhava desde que eu havia chego perto da torre e que só agora ficava mais fraca enquanto eu descansava na sala. Da mesma forma a voz no fundo de minha mente perdia razão frente a minha reaguçada curiosidade.
Com a luz do sol entrando pela única e grande janela que havia alí, o medo que eu havia acabado de sentir não era capaz de se fazer presente.
Olhando pela janela logo se via o bosque, e junto aos pés da torre uma velha piscina e fonte se encontrava secas, carregadas de folhas mortas das árvores não longe dalí.
O restante da sala eram apenas paredes e três pilares no centro, sem pitura ou decorações. Sem relógios. Num dos cantos da sala havia uma pesada porta de madeira, uma fresta aberta permitia ver apenas a penúmbra por detrás dela.
Já descançado e me sentindo estúpidamente inabalável fui até a porta e comecei a puxá-la.
Com esforço a porta foi cedendo e abrindo, rangendo o mais alto possível em cada centímetro de movimento. Uma corrente da ar fresca vinha do corredor, semelhante a que eu sentia perto da janela da sala.
O corredor tinha um aspécto circular, acompanhando o lado da torre, tendo uma inclinação em rampa e logo uma escada, subindo.
Havendo pequenas janelas em vários pontos, espalhadas uniformemente. As janelas eram altas e eu não podia enchergar o lado de fora. Dessa forma eu não tinha como saber quantas voltas eu havia dado na torre e quantos andares havia subido.
No final da interminável escada uma passagem escura se abria a esquerda, indo direto para o centro da torre.
Não havia fonte de iluminação aparente, mas conforme eu andava, podia enchergar o chão a minha frente e atrás de mim. Aos lados não havia nada, nenhuma parede. Parecia uma ponte sobre um abismo. O mesmo vento frio do salão abaixo podia ser sentido alí, e o badalar incansável estava mais alto.
Fui andando de forma lenta, novamente prestãondo atenção em cada barulho. Me assustando e quase caindo quando ví o primeiro pilar surgindo do nada, a minha direita no meio da escuridão. Conforme mais pilares, circulares e quadrados, alguns com pontes entre eles inclusive passando por cima de mim iam surgindo, fui me acostumando com eles, e não demorou apra chegar a um pilar que sustentava aquela ponte.
Dentro da pequena sala, um velho relógio pintado no chão brilhava levemente. Havia uma pequena escada circular indo para o andar de cima e outra para baixo nos lados, e uma ponte seguindo a frente.